Você sabe o que quer?
Se surgisse alguém com poderes mágicos que se disponibilizasse para realizar seu desejo, o que escolheria?
Experienciei uma intensa aventura interna no fim do ano de 2018. Foram 10 dias olhando para meu funcionamento mental e os padrões de comportamentos profundamente enraizados. Além de incontáveis repetições, inúmeros apegos, resistências e até reações de avidez e aversão.
Em um dos dias eu senti vontade de sentar no chão. Fui para o jardim, e lá estava eu, na companhia das flores, das árvores, do sol, da brisa e muitos outros elementos.
Me dei conta que uma formiga estava compartilhando aquele espaço comigo. Enquanto eu relaxava, ela lutava para levar uma florzinha para algum lugar. Comecei a observar e notei que a flor tinha três vezes o seu tamanho. Ela insistia por um caminho e a flor ficava presa, encontrava outra alternativa e não tinha espaço para passar.Ao olhar para aquela ação, manifestada por um ser tão pequeno, um universo de sensações se fizeram presentes em mim. Comecei a me questionar: Como posso ajudar? O que devo fazer? Para onde ela está indo? Assim eu poderia facilmente transportá-la com seu alimento em segurança para o destino final. Até que duas outras formigas passaram por ela. Eu comecei a falar: Pede ajuda! Desista dessa e leve com suas colegas aquela outra!
A formiga não me ouviu. Parou e por instantes se manteve imóvel com metade da flor por cima dela. Eu fui tomada por outras sensações.
Agora o que estava acontecendo? Ela estava passando mal? Estava cansada? Tinha aceitado a impossibilidade de carregar tudo aquilo?Dúvidas, sentimento de impotência, vontade de ajudar, medo que ela não desse conta e uma profunda solidão surgiram em meu ser.
Como ela poderia sustentar todo aquele peso sozinha? Estava ali sem ninguém para contar, passando por inúmeras dificuldades, parando e caminhando lentamente, sem saber exatamente quando alcançaria o destino final.
Inconformada com tantos desafios para um único ser, e mobilizada por tanto foco, decidi abrir caminho. Ia suavemente afastando os galhos das pequenas plantas que cobriam o chão. Ela obteve temporariamente mais facilidade para seguir o percurso.
Meu intervalo acabou, tive que seguir e deixar a formiga para concluir seu objetivo. Não sei o resultado final dessa história. Porém, retirei profundas reflexões sobre essa experiência.
Quantas vezes desejamos ajudar, interferir, favorecer soluções e possibilidades para aqueles que estão ao nosso redor e que julgamos que estão em sofrimento? Quais foram as situações que já se sentiu sozinha ao passar por algo? Quando pensou que se alguém ajudasse, mudasse, parasse de manifestar tal e tal ação, seria mais fácil para você? Quais foram os momentos que olhou para o lado e comparou que para o outro a caminhada era mais fácil, mais leve?
Imagino que já tenha se deparado com algumas dessas sensações. Se me perguntar o que aprendi com a formiga, emocionada te respondo: ela me ensinou que preciso avaliar quando e se posso interferir no processo do outro. Antes de ajudar preciso investigar se não sou eu quem carece de ajuda. Pois ao desejar carregar aquela formiga e a flor para seu lar, eu estava focada em parar de sentir tudo aquilo que em mim interpretei como desconfortável. Só depois percebi que estava sendo egoísta. Ao abrir lentamente caminho para ela, associei com as sincronicidades que surgem e que aliviam as dores que inevitavelmente aparecerão no processo de transformação.
Por fim, ela me mostrou a importância de saber o que se quer, e focar na meta desejada. Essa clareza de objetivo gera força e nos conecta com o poder de escolha. Aquele ser escolheu seguir, sem se importar com o que ia encontrar pela frente!
Que tenhamos consciência e sabedoria para fazer a caminhada rumo ao ser que de fato somos!
Poliana Mota.
Psicóloga e psicoterapeuta.










